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Livro: Teoria da História (Art. 4, Intr. p. 22-32) www.tribodossantos.com.br
No primeiro capítulo do livro Teoria da História, focalizaremos o grande mercado global pré-diluviano.[1] Mostramos onde, quando e como ele se formou. Esse grande mercado se desenvolveu a partir do processo de expansão, complexidade e interligação de diversos mercados macro-regionais. Todos eles tinham como base a cidade-estado. Focalizamos a data aproximada do processo de formação de cada um dos mercados macro-regionais, e suas respectivas conexões com outros mercados macro-regionais. Alguns desses mercados macro-regionais constituíram-se em épocas anteriores a outros. Cada qual tinha suas especificidades. São eles: o mesopotâmico; o elamita; o egípcio; aquele formado pelas cidades situadas na bacia do rio Indo; o egeu; o hitita; e aquele formado pela Fenícia, Síria e Canaã. Por volta de do ano 2000 a.C. ocorreu, entretanto, que esses diversos mercados macro-regionais convergiram para a formação de uma grande e global rede de mercados macro-regionais. Rede esta que chamamos de “grande mercado global pré-diluviano”. Tratava-se de uma rede global, à medida que essa rede englobava todas as civilizações antigas e próximas entre si. As quais atingiram, àquela época, níveis análogos de expansão e de complexidade de grande mercado.
Mostramos como método de análise, a fase inicial da formação do grande mercado global pré-diluviano desenvolvendo-se a partir da configuração espacial do Antigo Egito, no interior da qual se formaram diversos “mercados macro-regiões”. E, onde o processo sincrônico e diacrônico de expansão do grande mercado foi mais fácil de ser observado. Pois, no Antigo Egito, esse processo transcorreu de modo mais linear, em razão da configuração espacial do Antigo Egito se apresentar protegida, àquela época, de invasões externas, através de barreiras naturais. Desse modo, o início do processo diacrônico da expansão do Grande Mercado permeou as seis primeiras dinastias egípcias. Período sócio-histórico egípcio este conhecido como o Antigo Império. Essas seis primeiras dinastias egípcias corresponderam aos seis sucessivos “mercados macro-regionais” existentes, então, no interior da configuração espacial egípcia. Mercados estes que se articularam entre si, num processo expansivo da hegemonia de um sobre o seu antecedente.
A Sexta Dinastia teve fim e com ela o Antigo Império. Assim, o processo sincrônico de expansão do grande mercado regrediu, e a Sexta Dinastia fragmentou-se e o Antigo Egito voltou a ter como base o campo, e não mais a cidade-estado (nomos). Esse período que se seguiu ao Antigo Império é chamado Primeiro período intermediário, e mais apropriadamente Idade Feudal Egípcia. Pois, ele apresenta características análogas ao modelo de formação social e respectivo modo de produção feudal, que se desenvolveu na Europa Ocidental, em decorrência da fragmentação do Império Romano. Mas, assim como o regime feudal que se estabelecera na Europa Ocidental engendrou, por dentro de si mesmo, aproximadamente, a partir do ano 1400 d.C., o grande mercado global ainda hoje existente. Assim também, o regime feudal egípcio engendrou, cerca de 2100 a.C., o Médio Império egípcio, que aqui concebemos, agora, como uma única e grande macro-região e respectivo mercado macro-regional egípcio. A qual convergiu, com as demais macro-regiões que lhes eram contemporâneas (mesopotâmica, elamita, hitita, etc.), para a constituição da rede global de mercados macro-regionais. Rede global esta que perdurou até cerca de 1788 a.C.
Investigarmos a fase inicial da formação do grande mercado global pré-diluviano, tendo a configuração espacial do Antigo Império Egípcio (as seis primeiras Dinastias) como objeto de estudo. Assim, verificamos que nessa configuração espacial se desenvolvera um aspecto importante da fase inicial da formação do Grande Mercado, que mais adiante e logo após a Idade Feudal egípcia iria se apresentar como global.. Aspecto este que se apresentou como o eixo central e dinâmico do processo diacrônico de expansão do Grande Mercado. Eixo central e diacrônico este que desembocou, através do regime feudal peculiar à Idade Feudal Egípcia, na formação da grande rede global de mercados macro-regionais pré-diluvianos.
Ainda no primeiro capítulo, focalizamos alguns aspectos e respectivas datas aproximadas do início e do término do processo de desmantelamento do grande mercado global pré-diluviano. Mostramos, ainda, como e quando esse processo ocorrera em cada um dos mercados macro-regionais que integravam o grande mercado global.
No segundo capítulo, tratamos da origem e natureza da Teoria da História, e o modo indelével como Moisés a inculcou na identidade cultural e vida prática do povo hebreu. Moisés fora sacerdote no Egito, onde aprendera uma parte da Teoria da História. A outra parte desta teoria, ele aprendera com o seu sogro Jetro, sacerdote de Madiã. Moisés foi o grande líder, que libertou tribos de diversas origens, as quais eram mantidas escravizadas no Egito, e as conduziu, através do deserto, no sentido de estabelecê-las na Palestina. Esse grande líder registrou a Teoria da História em escrita analítica do tipo hieroglífica, cujos sinais de anotação (ideogramas) tratavam-se das formas e disposições dos móveis e do próprio tabernáculo, e de alguns poucos rituais. Moisés traduziu essa escrita para o hebraico, ou mais provavelmente para o aramaico. Desse modo, ele criou uma escola e transmitia, oralmente, a Teoria da História aos seus iniciados. Moisés criou um grupo constituído de sacerdotes e levitas, e o incumbiu da mera função de manutenção e transporte do tabernáculo, através do deserto. Moises morreu, possivelmente em decorrência de assassinado executado por sacerdotes e/ou levitas. Estes passaram, então, a perseguir e matar os iniciados por Moisés na Teoria da História. Pois, os sacerdotes e levitas queriam utilizar o tabernáculo como templo e adaptar uma doutrina e rituais como meios de enganar, submeter ideologicamente e explorar o povo. Eles conseguiram realizar esse objetivo.
Os livros que constituem o Pentateuco foram definidos em torno do período exílico na Babilônia. Nesta ocasião, algum dos grandes profetas individuais contemporâneos a esse período conseguiu inserir, registrando em hebraico, a Teoria da História como aparente simplório prólogo do livro Gênese. Pois, essa teoria fora codificada, hermeticamente, através de alegorias difíceis de serem decifradas. Alegorias essas que representavam, literalmente, uma simplória concepção da origem do mundo e da humanidade. Os sacerdotes aceitaram inserir, como prólogo do livro Gênese, o texto que contem a Teoria da história, porque só conheciam o sentido literalmente simplório. Deste modo, o texto fora preservado, ou seja, não fora muito adulterado pelos escribas e sacerdotes.
Ainda no segundo capítulo, focalizamos algumas das principais diretrizes teóricas pertinentes à Teoria da História escrita no livro Gênese. Mostramos que o autor dessa teoria focalizou o trabalho produtivo agrícola, a respectiva sedentarização e o consequente estreitamento dos laços sociais, condições estas que chamamos de Período Neolítico. Mostramos, ainda, que o referido autor concebe o conjunto desses fatores como ponto de partida para a incrementação da estrutura social permanente, que chamamos de divisão social do trabalho. Estrutura social permanente e transformável esta que ele selecionou, para a elaboração da Teoria da História, como importante fio condutor sincrônico e diacrônico dos desdobramentos sócio-históricos focalizados pela perspectiva do tempo longuíssimo:
- Divisão social do trabalho sexual: os homens exercem trabalho predatório, e, as mulheres exercem trabalho produtivo agrícola;
- Divisão social e oposição do trabalho material e intelectual: Período Matriarcal: De um lado (trabalho material), os homens permanecem exercendo trabalho predatório, e a maioria das mulheres permanecem exercendo trabalho produtivo agrícola. Mas, de outro lado (trabalho intelectual), determinadas mulheres passam a exercer trabalho intelectual e a submeter ideologicamente e explorar os homens e demais mulheres que permaneceram exercendo trabalho material. Pois, essas mulheres que passaram a exercer trabalho intelectual tornam-se ideólogas-feiticeiras. À medida que foram induzidas, pelos ideólogos-feiticeiros (também representado na figura da “serpente”), a “comerem” (assimilarem), o “fruto” (conduta objetiva: discurso e encenações falseados, mas poderosamente sedutores, e demais fatores objetivos próprios do ideólogo-feiticeiro). Ideólogo-feiticeiro cuja forma material de existência é singularmente caracterizada pela aversão em exercer trabalho material, e pelos segmentos que o exercem. Em razão disto, ele aplica todos os recursos disponíveis, notadamente os de ordem intelectual, para submeter e explorar os segmentos que exercem trabalho material. Período Patriarcal: Determinados homens assimilaram, finalmente, das mulheres feiticeiras, o “fruto” (modelo de conduta objetiva), que estas houveram assimilado, anteriormente, dos ideólogos-feiticeiros. Assim, esses determinados homens subjugaram as mulheres feiticeiras, e passaram a submeter ideologicamente e a explorar os segmentos sociais que elas submetiam e exploravam;
- Divisão social e oposição entre o trabalho agrícola (Caim) e pastoril (Abel): O termo “Caim” significa “adquirir” e é atribuído ao trabalhador agrícola. Nestes termos se concebe o nascimento da propriedade privada no âmbito do trabalho agrícola. Abel exerce o trabalho pastoril, no qual se desenvolve relação social de ordem igualitária e uma forma de resistência ao desenvolvimento da propriedade privada. A propriedade privada agrícola (Caim) submete e elimina essa forma de resistência, e estende a propriedade privada à atividade pastoril (Abel). A divisão social do trabalho consiste em diversos segmentos sociais exercendo diferentes modalidades de trabalhos. O autor da Teoria da História concebe que cada segmento social e respectiva especialidade funcional consistem numa localização social. A qual produz uma categoria de pensamento própria. Esta concepção corresponde ao moderno conceito de “localização social do pensamento”. Desse modo, a localização social “Caim” gera os “frutos da terra”, isto é, o tipo ideólogo (sacerdotes, feiticistas, etc.) de intelectual, e respectiva categoria de pensamento (motivada, predominantemente, por sentimentos de ordem odiosa e valores egotistas). Por outro aspecto, a localização social “Abel” gera “os primogênitos do seu rebanho e das gorduras dele”, ou seja, o tipo de intelectual análogo aos grandes profetas individuais hebreus, embora ainda não houvesse a escrita. Entre os intelectuais desse tipo emergiu, pela primeira vez, e quando a humanidade vivia exclusivamente ainda no campo, o Escolhido do Deus Criador;
- Divisão social e oposição entre o trabalho campestre (Caim) e o citadino (Henoc): O símbolo “Caim” representa, agora, o campo, onde já se desenvolvera a propriedade agropecuária. O autor da Teoria da História atribui a “Caim” haver gerado o filho de nome Henoc e ter construído uma cidade, à qual pôs o nome do seu filho. Nestes termos, ele diz que o campo (Caim) engendrou a cidade, ou seja, desenvolveu-se a divisão e oposição social entre o campo e a cidade.
- Ordem cronológica do processo da divisão social no interior de uma cidade em particular e das diversas cidades de uma mesma macro-região: Primeira fase: “Irad” (regime de governo monárquico); “Maviael” (oligarquia agrária); “Matusael” (Matusael apresentou duas características: em algumas cidades da macro-região se desenvolvem o regime de governo absolutista gerido pela oligarquia agrária; em outras cidades da mesma macro-região se desenvolvem os regimes de governo ditatorial ou tirânico); “Lamec” (início do processo de formação do mercado macro-regional, isto é, ainda não alicerçado devidamente, nem bipolarizado). Fase ulterior: “Lamec e suas ‘duas mulheres’ (dois segmentos de forças de trabalho – na Teoria da História, o símbolo “mulher” representa a noção de “força de trabalho”)”. Ou seja, o mercado macro-regional intrinsecamente bipolarizado (“Lamec-Ada” versus “Lamec-Sela”) incrementou a seguinte divisão social do trabalho, no âmbito macro-regional de cidades-estado. De um lado (“Lamec-Ada”), gerou, por um aspecto, “Jabel” (corporações profissionais de mercadores), e por outro aspecto, “Jubal” (guildas de “ideólogos-artista”). De outro lado (“Lamec-Sela”), gerou, por um aspecto, “Tubal-Caim” (Corporações profissionais ligadas à extração e transporte de minério, e, corporações profissionais dedicadas às manufaturas de derivados de minérios), e por outro aspecto, “Noema” (forças de trabalho empregadas na mineração e nas manufaturas: escravos por conquista, escravos por dívida, jornaleiros, aprendizes, etc.).
- Processo inicial da divisão social do trabalho entre mercados macro-regionais. Neste processo, o grande mercado efetua, sincrônica e diacronicamente, um salto expansivo. Ele parte de determinado mercado macro-regional já bipolarizado, o qual é unificado por vigorosas lideranças políticas. Assim, este mercado macro-regional torna-se um grande império, dotado de comando único e centralizado numa ou poucas cidades-estado. Ele é o primeiro de uma sucessão de seis grandes impérios. O autor da Teoria da História representa o primeiro deles no símbolo “Set”. Ao passar do tempo, essas elites perdem o vigor e a respectiva capacidade de prosseguir expandindo o grande mercado. O grande mercado suscita, então, no mesmo ou em outro mercado macro-regional que já esteja bipolarizado, lideranças políticas vigorosas que vão unificar estes mercados macro-regional. Desse modo, estas novas e vigorosas elites vão liderar e constituir o segundo grande império. Estas lideranças novas e vigorosas e respectivo mercado macro-regional se estendem, hegemonicamente, submetendo e se interligando ao mercado macro-regional cujas lideranças perderam o vigor. O autor da Teoria da História nomeou esse segundo grande império de “Enos”. Ocorre, então, um salto no processo de expansão do grande mercado, o qual vinha se expandindo intrinsecamente no âmbito macro-regional, mas passa a se expandir no âmbito dos mercados macro-regionais, os quais vão se interligando entre si. Todo esse processo expansivo consiste no rompimento de barreiras comercial, e tem como base a cidade-estado. Desse modo, seis Grandes impérios se sucedem no processo geral de expansão do Grande Mercado, cada qual mais abrangente que o imediatamente antecedente: 1º – Set; 2º – Enos; 3º – Cainan; 4º – Malaleel; 5º – Jared; 6º – Henoc. Em razão disto, esse processo inicial da divisão social do trabalho entre mercados macro-regionais chamamos de escala imperial de expansão do Grande Mercado.
- Divisão social do trabalho regredida ao nível do campo (Matusalém), mas numa vasta configuração espacial decorrente da regressão e fragmentação do limite alcançado, anteriormente, pela sexta escala imperial (Henoc) de expansão do grande mercado. Esta sexta escala havia alcançado o limite de expansão e complexidade possibilitado por sua base, isto é, a cidade-estado em geral, e tendo uma única cidade-estado como sede central de comando. A exemplo de Mênfis, na Sexta Dinastia Egípcia, e, Roma, no Império Romano. A divisão social do trabalho regredida ao nível do campo, nas condições acima indicadas, apresenta-se conforme o regime feudal: fragmentação do poder central; grande número de senhores feudais e respectivos servos da terra; baixos níveis industriais, comerciais e culturais, mas grande poder de um grupo de ideólogos e a respectiva instituição coletiva dominada por eles, a exemplo da Igreja. Apesar de todas estas características regressivas, a “divisão do trabalho regredida ao nível do campo” (Matusalém) apresenta uma importante e singular função, no processo geral de expansão e complexidade do grande mercado. Ela desempenha a função de transposição do processo de expansão do grande mercado, que vinha se desenvolvendo em seis sucessivas escalas imperiais (Set, Enos, Cainan, Malaleel, Jared, Henoc), para alçá-lo ao estágio global (Lamec).
- Conformação final da divisão social do trabalho entre todas as macro-regiões, que alcançaram níveis análogos de complexidade, e que convergiram para a formação de uma rede global de mercados (Lamec). Até um determinado período o grande mercado global prossegue seu processo de complexidade e de expansão.
- Regressão do nível alcançado anteriormente pelo processo de expansão e complexidade da divisão social do trabalho. No período subsequente àquele acima indicado, o grande mercado global passa a regredir e se fragmentar, gradativamente, em três grandes partes. Desse modo, ele se extingue. O autor da Teoria da História nomeou esse período de regressão de Noé, e a gradual fragmentação tripartite de Sem, Cam e Jafet. O nível de complexidade e o de expansão anteriormente alcançado pela divisão social do trabalho acompanham, respectivamente, o processo depressivo chamado Noé, e a respectiva fragmentação tripartite. Neste contesto depressivo, ocorre a convulsão social mais grave, prolongada e que afeta todos os mercados macro-regionas, que integravam a grande rede global de mercados macro-regionais. Convulsão social essa que o autor da Teoria da História representou na figura de uma inundação universal, o “dilúvio”.
[1] http://tribodossantos.com.br/pdf/Teoria%20da%20Hist%C3%B3ria%20-%20introdu%C3%A7%C3%A3o.pdf